"Simples assim" é o cacete
Ultimamente, tenho lido muito as pessoas encerrarem um blá-blá-blá taxativo com um glorioso "simples assim". Com pausa antes, para aumentar o efeito. Peguei horror a isso.
De saída, a má vontade que cultivo em relação a essa expressão é o fato de tratar-se de um indisfarçável e paupérrimo recurso para se colocar acima dos demais mortais interlocutores ou leitores. Na verdade, a pessoa mal está se segurando para dizer: "é tão óbvio, como vocês não perceberam, seus estúpidos?". A (falsa) modéstia impede.
Mas não é só isso. A tal da simplicidade atávica do que foi escrito ou dito não resiste a uma segunda vista d'olhos. Geralmente, o discursinho que antecede o "simples assim" tem os dois pés no meramente simplório. Quase sempre, trata-se de uma pérola do senso comum, repetida orgulhosamente como se fosse um tremendo insight intelectual.
Por fim, fica o mais óbvio: a expressão matreira é um artifício de retórica que pretende (quase sempre sem sucesso) transformar-se na última palavra em uma discussão qualquer.
Como se vê, nada é tão simples assim, nem o "simples assim".
Imagem: mosaico romano - Tragédia e Comédia (a Comédia não tá a cara do Lula, gente?)
Escrito por Lílian Honda às 19h09
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