Todos os textos publicados neste blog são de autoria de Lilian Honda, exceto quando indicado o contrário (e, nesses casos, serão dados os devidos créditos ao autor).

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Barraco
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Em busca da simplicidade "zen" pênis
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Imagem é tudo...

Delicio-me com as ironias da vida.

Depois de anos e anos e anos ganhando a vida às custas do idioma pátrio, resolvi saber que língua é essa e, no final das contas, acabei mesmo me interessando pelo latim, que, como todos sabem, tem um mercado promissor pela frente. E mais: achando que sairia especialista nas minúcias da norma padrão da última flor do Lácio, descobri que o buraco é mais embaixo e infinitamente mais interessante, complexo e dinâmico do que um punhado de regras a decorar.

Depois de tanto tempo de dedicação às letrinhas, fui me interessar por fotografia! Poisé. Comecei a fazer tratamento de imagem e, por fim, me interessei pela captura da dita cuja que - dizem - supera o valor de mil palavras. A conferir.

Minha estréia será amanhã, no X Fórum Mundial Cidades Educadoras, um grande evento que está sendo promovido pela primeira vez no Brasil.

A programação dos três dias de fórum é ótima, para completar o agito, emendarei com a Virada Cultural, de modo que não garanto sobreviver para contar as eventuais besteiras que irei perpetrar. Ou não, se tudo for como nos "ensaios" e eu puder meter uns "cacos" no script. Afinal, a vida costuma ser puro improviso.

 



 Escrito por Lílian Honda às 23h54 [ ] [ envie esta mensagem ]



Um pé na cova, outro na casca de banana



No final do século XVI, Francis Bacon dizia que a ciência deveria fazer sua entrada triunfal na passarela da vida cotidiana. Entrou apoteoticamente, como todos sabemos, mas já está atravessando o enredo.

E sabe quando a gente percebe que o cientificismo, o racionalismo, o capitalismo e outros ismos correlatos estão com um pé na cova e outro na casca de banana? Quando vai descascar uma bananinha (literalmente falando) e dá de cara com um selo colado na fruta: "Banana Biodinâmica".

De tanto rir, quase engasguei com o pedaço que já estava na boca. Caprichosamente, descolei o tal selinho (impresso em cores, claro) e guardei entre as páginas de "São Bernardo", do Graciliano Ramos, que reli ontem, inteirinho, com inenarrável prazer e também com um sorriso irônico estampado nas fuças.

E que relação tem o livro do Graciliano com a banana "de última geração"? Ah, se soubesse da novidade agrícola, Paulo Honório, o protagonista-narrador e bem acabado monumento ao homem instrumental, seria o primeiro a plantar um imenso bananal biodinâmico desses (seja lá o que isso significa).

"São Bernardo" e a "Banana Biodinâmica Inc." cruzam suas existências casualmente na mesa da minha cozinha e sobre os escombros da modernidade. Em campos opostos: o livro é a crítica; o marketing da fruta é a representação mais concreta (e comestível) da ausência de senso crítico.

[Em tempo. Arrisco um palpite: "São Bernardo" é um livro de tessitura mais refinada e infinitamente mais sutil que o consagradíssimo "Vidas Secas". Os fãs da Baleia (a cachorrinha, tá? Não custa esclarecer) que me perdoem a ousadia.]



Texto: Lílian Honda
Imagem: Não faço a mínima idéia de quem seja o autor... mas ficou chiquita-bacaninha, não?



 Escrito por Lílian Honda às 00h40 [ ] [ envie esta mensagem ]