Todos os textos publicados neste blog são de autoria de Lilian Honda, exceto quando indicado o contrário (e, nesses casos, serão dados os devidos créditos ao autor).

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Se non è vero...


Tiepolo, The Procession of the Trojan Horse in Troy (c. 1760)

Sabe, moçada, ando achando Aristóteles, ou ao menos seu côté lingüista, muito legalzim. Lendo e relendo trechos da Poética, meu primeiro impulso foi mandar um resuminho simplificado, com figurinhas e diagramas (não custa facilitar, nesses tempos de domínio do instrumental) para os roteiristas de Hollywood. E dizer: “unidade de ação”, moçada, leiam meus lábios, é mais velha do que latim!

O segundo impulso foi pensar na metafísica do velho Ari (ou Totó, como diz uma amiga minha, respeitosa e carinhosamente). Brincando aqui com pensamentos, encarapitada no alto da minha indomável e irrefreável ignorância ― sim, sim, a ignorância é atrevida, não tem jeito ―, fiquei ruminando a idéia de que Aristóteles escreveu a metafísica seguindo rigorosamente as lições que estão na Poética. Uma bela e irretocável obra, com verossimilhança, coerência e unidade de ação, ao gosto aristotélico ― e, conseqüentemente, palatável até hoje. Uma pérola que até Homero certamente teria aprovado com gosto, seja lá quantos Homeros existiram. Ou não existiram (e, neste caso, só me resta dizer: se non è vero, è molto ben trovato).

Aos que torcerem o nariz, tanto por conta das velas acesas no altar na metafísica, quanto pelo fato de o velho Ari estar recomendando um “modo de fazer” específico para a ficção, eu diria: mas o que não é ficção? Ou fé? Meninada, até a racionalidade e a ciência o são. Ou ossinho. Não resisti ao trocadalho, sorry.

Notinha envergonhada: Tou abismada. Recebi dois comentários aqui neste empoeirado espaço por esses dias. É espantoso que alguém ainda se dê ao trabalho de aparecer por essas bandas. Fico feliz e agradecida.

 Escrito por Lílian Honda às 15h14 [ ] [ envie esta mensagem ]