Todos os textos publicados neste blog são de autoria de Lilian Honda, exceto quando indicado o contrário (e, nesses casos, serão dados os devidos créditos ao autor).

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Mãe, tou na USP. Sim, de novo...



Gente, voltei pra USP. Tou fazendo Letras. Quero ser uma moça letrada e diplomada quando crescer, iniciada nos mais esconsos segredos desse negócio de botar letras de carreirinha.
Entrar lá foi moleza (sorry, periferia, nem estudei. Sempre fui uma CFD enrustida): a parte chata foi a fila da inscrição pra Fuvest – e não porque era domingo, praticamente madrugada (8h da manhã, me perdoem os calvinistas e assemelhados, é madrugada pra mim), chovia e a anta aqui resolveu sair sem ter comido nem aquele iogurtinho desnatado com granola porque achou que seria tudo muito rapidinho. O duro mesmo foi descobrir que as mães dos moleques lá da fila eram todas mais novas do que eu!
Aliás, por falar em mãe, que raios esses moleques vão fazer escoltados por mãe na fila de incrição pro vestibular?! Pior: na matrícula (leia os meus lábios: matrícula na universidade!), a coisa se repetiu: marmanjos sendo pintados pelos veteranos desocupados, naquele rito de passagem tribal que atende pelo nome de “trote”, devidamente acompanhados por mães sorridentes e orgulhosas!!!
Onde estamos? Esse molecada perdeu a compostura? Será que não sabem pegar ônibus pra USP? Será que as mãetoristas estarão esperandinho diariamente, ao final das aulas? Na minha época de estudante (a de antes, não a de agora), a gente não deixava mãe chegar a menos de 2 km do colégio pra não passar vergonha. Na faculdade, então, presença de mãe só era permitida na cerimônia de formatura, que sempre foi data especialmente reservada para vexames maternos.
Agora bateu aqui na telha a cena: uma mãe ensandecida pelos corredores da autarquia, interpelando aos gritos um professor doutor qualquer de sânscrito pra reclamar das críticas à tese do pimpolho-mestrando. Ora, tomem vergonha.
Pensando bem, até que não seria mal ter uma mãe abnegada pra encarar aquela uma hora de fila na xerox por mim, admito.


 Escrito por Lílian Honda às 21h51 [ ] [ envie esta mensagem ]