Todos os textos publicados neste blog são de autoria de Lilian Honda, exceto quando indicado o contrário (e, nesses casos, serão dados os devidos créditos ao autor).

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mal traçadas
 

Pena de morte para bermudas

Há certos deslizes no guarda-roupa que deveriam ser enquadrados como crime inafiançável. Mulher com mais de 20 anos e/ou mais de 50 kg com calça capri, por exemplo. Ou legging (se é que exista alguém que ainda vista isso e que não seja dona-de-casa perdida nos anos 80 a caminho da feira). Ou calças afuniladas. Essas donas sempre me lembram aqueles porquinhos de desenho animado, cujas figuras redondas estreitam-se subitamente, apoiando-se em minúsculos pés pontudinhos.

 

Short ou bermuda a mais de metro e meio da porta de casa para fora, então, deveria ser caso de prisão perpétua. E não só para mulheres. Há coisa mais deplorável do que ver aqueles moços que já deram adeus à adolescência há alguns (ou muitos) anos enfiados em bermudões que se estendem até os joelhos, indefectivelmente arrematados por um par de tênis no melhor estilo pão-de-forma-hi-tech? Ou, pra piorar ainda mais a cena, usando sapatos de couro com meias brancas ou docksider com qualquer meia. Voltando aos desenhos animados, esses moços ficam idênticos aquele ganso-bebê imenso que cantarolava “Huguinho quer brincar de cowboy” e pulava desajeitado no meio da brincadeira dos patinhos, estragando tudo.

 

Seja homem: vista calças compridas. Sua mãe deve ter dado licença para você abandonar as calças curtas há muitos e muitos anos, junto com as chaves da casa, no jurássico. Essas peças só são toleráveis em sua corridinha diária pra manter a forma, se você estiver portando declaração reconhecida em cartório de que o traje em questão é para uso esportivo e restrito ao trajeto de casa para o local da atividade e vice-versa, sem direito a desvios. Nem pra comprar jornal!

 

Esse povo todo só deveria ter direito a liberdade condicional se recitasse sem gaguejar o texto integral “Chic” ou “Chic [quérrimo]”, da Glória Kalil. E seriam mantidos sob observação para evitar reincidência, é óbvio.

 

Ilustração: Lilita Figueiredo (2003)



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