Todos os textos publicados neste blog são de autoria de Lilian Honda, exceto quando indicado o contrário (e, nesses casos, serão dados os devidos créditos ao autor).

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Ecochatices

 

 

Nos dias que correm, todo mundo é a favor do slogan “Salvem as baleias”. E não estou falando de defender o direito de senhoras robustas, corajosamente enfiadas em biquínis estampados de “oncinha”, encalharem nas areias de nossos paraísos tropicais, uma causa tão politicamente correta quanto a ecológica.

Sim, somos todos preservacionistas hoje em dia, fica estabelecido de antemão, mesmo que apenas sob o verniz da (má) consciência.

Eu, por exemplo, amo de paixão papel reciclado, daqueles em que a caneta “tropeça” em sementinhas e cascas variadas, numa explícita demonstração de sacrifício da caligrafia em prol da ecologia. Em cartas e cartões, fica lindo. O papel, não os garranchos, obviamente. Mas ninguém precisa entender a mensagem propriamente dita quando a imagem é tão agradável, némesmo?

Há coisas, porém, que meu pudor estético ainda não engole. Por exemplo: artesanato com argolinha de lata de cerveja. Podem inventar de tudo - sacola, quadro, cortina, colete - que sempre acaba com cara de... argolinha de lata de cerveja amarradinha uma na outra. E se você está achando que alguém poderia associar a peça a uma versão paupérrima de vintage Paco Rabanne (ok, ok, eu explico: aqueles vestidos hi-tech do estilista nos anos 60, feitos de argolas e placas de metal), esqueça. Com uma dessas coisas em casa, você apenas corre o risco de passar por manguaceira (além de cafona, claro)e ainda fornecerá munição às desafetas, que certamente pensarão qualquer coisa como "aquela barriga nunca me enganou!".

E artesanato com garrafa PET? Dá-lhe vaso, cinzeiro, base de abajur, fruteira, flores sintéticas e outros objetos supostamente “decorativos”, que me levam a pensar numa outra questão: poluição visual não conta, gente? O único produto razoável que vi foi um jeans produzido com fibra desse plástico misturada à fibra de algodão. E aposto que poluíram de monte pra transformar aquilo em algo medianamente aceitável.

Plástico, pra mim, definitivamente, só em utilitários para banheiro, cozinha e área de serviço. E olhe lá. De resto, podem salvar todos os bichinhos, desde que sobre um belo par de sapatos de couro de crocodilo para mim. E óculos de tartaruga.

Falando em tartaruga, perdi a oportunidade de perguntar à pessoa que entendia disso se existe alguma tartaruguinha marinha “intelectualmente prejudicada” que corre pro lado errado quando nasce... Essa tem a maior vocação pra sopa, podem crer.



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