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Podemos escolher o Johnny Deep?
Fui ver "Alguém Tem que Ceder", aquele filme com um dos roteiros mais improváveis da história do cinema, em que uma cinqüentona - bem sucedida, culta e magra de fazer inveja a uma adolescente anoréxica... ok, ok, com rugas (afinal, estamos falando de película estrelada pela policamente correta Diane Keaton) - vê-se diante de um, digamos, dilema: ficar com o sessentão feio, barrigudo, cardíaco, pretensioso, arrogante, inconveniente, chato, machista, misógamo e consumidor de Viagra, que ainda por cima é seu candidato a genro, ou com um jovem, belo e doce médico apaixonado?
É tudo muito bonitinho e as senhoras de meia idade saem do filme com a sensação de alma lavada, engomada e devidamente espichadinha pelo DMAE, o mais novo milagre da cosmética. Além disso, a gente leva de brinde Jack Nicholson de bunda de fora, tendo infarto e ataques de ansiedade e passando por outras situações humilhantes, mesmo sendo mais Jack Nicholson do que nunca, o que deixa tudo mais divertido. Mas, cá entre nós: tendo como segunda opção o pudim de chuchu sem sal Keanu Reeves, que passa o filme inteiro pedindo perdão por existir, qualquer uma apelaria para o velho Jack.
Vocês se lembram do "Drácula", do Francis Ford Coppola? O Reeves era o galã e a mulherada torcia para a garota ficar com o sangüinário e macróbio conde que usava penteado bolo-de-noiva, no melhor estilo "vovó em dia de baile de formatura da netinha". Aliás, a gente preferia o vampiro ao Reeves mesmo quando ele estava pendurado de cabeça para baixo, embrulhado em seu imenso par de asas de morcego. E peludo.
Agora, coloca ao alcance de nossas mãozinhas bem tratadas um moço bacana feito o Johnny Deep, que consegue ser sedutor até na pele do capitão gay do Pérola Negra em "Piratas do Caribe"... Bye, bye, Jackson. Nem Viagra resolveria um caso desses.
Escrito por qualquer uma às 06h33
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Brochamos inapelavelmente
Estava aqui juntando umas ideiazinhas à toa e acabei costurando umas às outras sem grandes preocupações com acabamento. O Obelisco do Parque do Ibirapuera está correndo risco de desabar. O símbolo (fálico) do orgulho paulistano de 81m de altura está negando fogo! O poeta Guilherme de Almeida, que foi sepultado lá dentro junto com outros veteranos da Revolução Constitucionalista de 1932, e que também é autor daquelas inscrições que aparecem do lado de fora, deve estar rolando no caixão. Mais um pouco e isso deixa de ser mera figura de linguagem, porque caso o Obelisco venha abaixo, o poeta corre seriamente o risco de rolar - literalmente - para fora da sepultura...
No fim das contas, a queda do Obelisco poderá vir a se corporificar numa imensa brochada coletiva. A prefeitura avisa que talvez venha a interditar as ruas e avenidas próximas. Já imaginaram isso? Garrote na ligação do aeroporto de Congonhas com os jardins, centro da cidade e zonas leste e norte? Finalmente, a cidade que não pode parar mas vive congestionada ficará quietinha, frustrada, fazendo aquela cara de crédula e compreensiva enquanto o ex-monumento gagueja constrangido: "Isso nunca me aconteceu antes".
A metáfora perfeita de nossa impotência tropical acontece na maior cidade de um país que é o segundo mercado consumidor de Viagra do mundo. Coincidentemente, a Pfizer anunciou hoje o lançamento nos Estados Unidos de um programa de fidelidade, uma espécie de milhagem do gozo, para os consumidores do medicamento: a cada seis prescrições para a compra da pílula azul, a sétima sai de graça. Por enquanto, só nos resta torcer que seja lançado também por aqui, já que nem tanta mulher pelada no carnaval nem bundinhas de fora nas praias nem terra em tal maneira "graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo" andam adiantando muito.
Enquanto isso, lamentamos não ter ao menos a sorte da Itália, dona daquela torre demi-bombe em Pisa. Melhor que nada.
Escrito por qualquer uma às 19h49
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Felicidade prêt-à-porter
No outro dia, soltei os cachorros em cima da poesia amorosa feminina. Essa transformação do amor num tema único, na grande justificativa existencial e no refúgio final da nossa subjetividade está fazendo um estrago no senso estético da humanidade. Músicas, filmes e poesia têm cara de fotonovela dos anos 70 que sofreu um lifting para incluir umas ceninhas de sexo no meio, logo depois da perseguição com tiros, claro, que ninguém é de ferro. E dá-lhe "paixão que trespassa a alma" alimentando a "voragem entre as minhas coxas", "cavalgar do gozo" que se confunde com "alegria arfante", "lágrimas de ausência" banhando "ancas ondulantes". E pensar que a gente achava fotonovela uma coisa cafona!
Antes que alguém ache que tenho algo contra amor ou sexo, vou logo dizendo: o que machuca mesmo a alma não é o tal "punhal cravado no peito", mas a falta absoluta de talento, o déjà-vu, a chatice da coisa toda. Não basta ser amor para ser poesia. É preciso ser poesia antes de mais nada.
Amor também virou uma espécie de passaporte e moto-perpétuo para a felicidade. Falando em felicidade, vocês já repararam como as pessoas se sentem doentes se não estão "felizes"? Qualquer ondular na superfície da alegria eterna e corre todo mundo para o Prozac. Ou para o centro espírita, dá quase na mesma. Uma vez eu caí na besteira da dizer numa mesa de boteco que a tristeza era bela (lembram-se quando esses papos eram tiro e queda para animar uma mesa de boteco?). As amigas só não arregalaram mais os olhos graças ao botox. E quase sentaram sobre as mãos para não bater três vezes na madeira, e não o fizeram menos por questão de bom gosto que de praticidade. Ficaria difícil segurar a taça de margarita.
Pois para mim, o charme da coisa toda está na diversidade. Às vezes, ter raiva de enxame de abelha africana na TPM. Ou afundar na dor de corno feito banho de lama. Ficar jogada na melancolia por um tempinho, como se fosse um sofá confortável. De quando em quando, ter uns piques eufóricos dignos de bipolar em fase maníaca.
Felicidade prêt-à-porter, usada como um pretinho básico para toda e qualquer ocasião, isso sim é uma tristeza.
Imagem: The Joker, Alex Ross
Escrito por qualquer uma às 18h36
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Solidariedade
Adoro o gato e a gata do Laerte . Em dia de preguiça, colo uma tirinha do
casal aqui.

Com legenda! Não é chique?
Gato: "Que mais você vai usar conta a minha baixa de energia, gata?"
Gata: "Massagem tailandesa"
Gato: "Todo mundo sabe que isso é pura libidinagem"
Gata: "Pode ser que sim, pode ser que não"
Gato: "Oquei... Vale a pena tentar"
Gata: "Também acho. Te escrevo de Bangkok"
Escrito por qualquer uma às 13h54
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Correndo com o mínimo de classe
Estou na TPM, com overdose de chocolate e absolutamente sem inspiração. A única coisa boa que me ocorre no momento é a frase do macaco Simão para a Páscoa: "menos ovo e mais galinhagem". Felizmente, estou arranjando colaboradoras! Amei as dicas da aquela outra sobre os despropósitos da indumentária masculina na hora do jogging. Colo aqui para vocês, a título de utilidade pública.
Dear Qualquer
Em primeiro lugar quero agradecer de todo o meu coração! As visitas diárias (ouviu, diárias) ao seu blog me abriram horizontes. Percebi, por exemplo, que fica muito mais fácil caminhar meus kms com o botão do olhar maldoso, digo, agudo, ligado. Hoje, se bobeio, passo duas horas caminhando (digamos que foi em substituição ao botão desligado ultimamente lá na salinha...).
Em segundo lugar, levando em conta o caráter informativo de alguns textos – senão todos, para os moços atentos – aqui vão algumas observações que considero importantes para aqueles que, como eu, perdem, isto é, dedicam, umas horas da manhã ao jogging-pero-no-mucho. Faça delas o que quiser. Aprimore com o seu olhar e seu texto, que é delicioso.Ou não faça nada. O fato é que me diverti hoje pensando bobagens e o tempo passou voando (o que é ótimo... sempre começo a caminhada me arrastando)! Lá vai.
Moços, por favor:
O único perfume permitido para a ocasião é o de banho tomado. Ou então cheiro de homem mesmo. Qualquer outra coisa, na melhor das hipóteses, vai deixar uma péssima impressão olfativa quando passarmos uns pelos outros (moças e moços, claro).
Aquele cabelinho penteado que resistir à primeira volta no circuito sem um fio fora do lugar, será sinal de meleca. Portanto, esqueça qualquer gel ou equivalente se não quiser parecer um bicheiro em trajes esportivos.
Criaturas, por favor! Shortinho listrado com a camiseta combinando com uma das listras, jamais! Ainda mais se a cor for aquele roxinho claro, que nem é bem roxo nem é lilás. Além de breguésima, a combinação – o que até certo ponto eu poderia desculpar- é sinal da mais completa ignorância sobre o mundo alternativo (GLS).Short é short. Nada de vir parecendo o filho de 16 anos, com aquelas bermudas na altura do joelho. Também não precisa vir de Mr. Mundo, com tudo de fora. Bom senso nesse quesito e pernas de fora, por favor, que eu preciso me distrair.
Proibido: Camisetas com Mickeys, Garfields e etcoeteras que os filhos tenham trazido de presente das Disneys da vida. Deixe para quando estiver com eles. Meias que não sejam brancas ! Faça-me o favor. E muito menos esticadinhas nas canelas.
Outra coisa: camiseta pra dentro do short é coisa de jogador de futebol na hora do jogo!
Tomem cuidado ao repetir a camiseta. Ou é sinal de que tem um bom serviço de hotelaria por trás – mulher, empregada, ou outros – ou que é porco mesmo. Tanto uma coisa quanto outra pode ser descoberta depois.
Senhores (esses já bem entrados nos enta...): ausência de camiseta só na beira da piscina das suas casas!
E por último, barriga prá dentro, peito prá fora e costas retas! Nesse hora ninguém precisa saber a quantidade de gente que vc carrega nelas!!
Acredito, Qualquer, que poderei aprimorar a cada dia minhas observações. Obrigada mais uma vez.
Beijocas
Aquela outra
Escrito por qualquer uma às 08h07
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