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Virtualmente irresistível - curso básico
Hoje resolvi entregar o ouro e dar dicas aos meninos sobre como ser um galã virtual bem sucedido. Mas, atenção, servem apenas para aqueles moços que fazem questão de manter suas infidelidadezinhas restritas à tela. Não vá sair por aí mentindo (e viva o direito à mentira, mas esse é assunto para um outro post) e depois marcar encontro com as moças, tá bem?
Mas o que torna um homem virtualmente irresistível?
A primeira coisa é a escolha do nickname de guerra. Lembram-se daquilo que eu disse lááááá no post "Em busca da simplicidade zen pênis"? Repassando a lição: mulheres precisam de pretexto para trepar, mesmo virtualmente. Assim, esqueça os "meigos" Cacetão, Salame Colonial, Casado Carente, Cheio de Tesão, Quero Foder, Duro 22 por 8 (dependendo da faixa etária do chat, vão pensar que é sua pressão arterial e informação sobre sua situação financeira) e coisas do gênero. Se você não tiver talento nem senso de humor para criar um nick engraçado e instigante, então apele para os clássicos e discretos, tipo Pedro, Jonas, Mário. Ou então, já para dar uma pista sobre sua tremenda bagagem cultural, alguma coisa que remeta a nome de livros ou escritores. Nada pop, por favor. Paulo Coelho ou O Mago, só se você estiver interessado em mulher burra ou adolescente, o que geralmente dá na mesma.
Deu trabalho escolher o nick? Pois eu tenho uma má notícia. Tem que mudar de "roupa" todos os dias. Por vários motivos. Um deles é que se você ficar manjado na sala de chat, a mulherada não vai dar sossego e você vai se desconcentrar. Como um conquistador eficiente, você deve escolher um alvo. Observe a "dinâmica" da sala, avalie as palavras das moças com cuidado, selecione uma ot... errr.... musa e foco nela!
Fundamental para a continuidade do romance esboçado é estabelecer uma senha para que a amada sinta que é a única. Afinal, aquele homem interessantíssimo e mutante identifica-se exclusivamente para ela, a escolhida. E nem pense em dizer singelamente: "Vamos inventar uma senha pra conversar?". Sutileza é a alma do negócio virtual: pince das conversas alguma coisa bacaninha, um livro que foi mencionado, um verso, um trechinho de letra de música, algo que ela possa reconhecer facilmente e que você vai repetir como "abre-te, sésamo" no início dos embates das madrugadas insones.
Antes de pensar em sair por aí encantando as "nickas" com sua verve, uma questão pertinente: como vai sua desenvoltura no manejo da última flor do lácio? Um português impecável é a base de toda conquista virtual que valha a pena, afinal você só conta com palavras em seu arsenal. Não pode apelar para o seu olhar 43, para o seu charme, para o seu sorriso cheio de dentes brancos, para aquele seu beijo de derreter maçaneta de porta... ai, devaneios aqui, desculpem. Como diz um amiguinho, o cara que escreve bem no chat é automaticamente rico, bonito, alto e magro (te devo essa, doc), o que nos poupa muito trabalho na construção da imagem. Assim, não custa nada ter aí na sua máquina o Houaiss eletrônico em riste, o Google firme e rígido e o Jornal de Poesia nos favoritos do Explorer. Tudo isso porque não tem nada mais desanimador para uma moça de bom gosto do que ler seu pretendente para a troca de bytes escrever "afim de conversar?" ou, radicalizando, "fachetária" (juro que já li isso!). É brochante.
Cansei, mas depois tem mais. Não exijam muito de uma moça numa manhã de sábado.
Escrito por qualquer uma às 11h00
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Barraco
Homem gosta mesmo é de mulher que arma o maior barraco. Ponto. Confesse.
Para o meu azar, porque levei 40 anos lendo e relendo o Manual de Etiqueta da Amante do Homem Casado, que apliquei com disposição de guerreiro taliban e humildade de gueixa a todos os meus relacionamento com o sexo oposto. Diz ali: nunca telefonar pra ele, nem em caso de ataque cardíaco (seu, não dele, que deste último a titular do posto cuida, felizmente); guardar os finais de semana para aquele tricô com as amigas (pelo menos oficialmente), porque dele serão os dias vagos da semana; nunca mencionar esposa e/ou namoradas, até porque você vai querer aproveitar o pouco tempo útil em coisa mais interessante; jamais reclamar quando ele resolver passar o final de semana com filhos, ainda que você desconfie de todo esse amor paternal num homem só.
Tanta vocação para a discrição e um dia ainda irei ouvir: "voltei para ela porque ela me ama". Leia-se: ela gritou mais alto do que eu e ele acha que isso é pura manifestação de amor incondicional. Aconteceu com um amigo, solteiro convicto até quase os 40 anos e que mudava mais de namorada do que de cuecas. Um dia, deparou-se com a barraqueira. Foi amor à primeira vassourada. E não estou brincando: num ataque de ciúmes, a amada atirou na cabeça dele uma daquelas vassouras Feiticeira, de ferro. Porque barraqueira que é barraqueira não discute a relação, parte logo para a guerra preventiva por hegemonia. De preferência, em público, para deixar claríssimo quem é a dona do pedaço.
Talvez, o feitiço da paixão estivesse mesmo nos incontáveis hematomas que a representante do sexo-frágil-que-esperneia deixava em seu (dele, claro, porque definitivamente ela não levava jeito pra masoquista) braço, resultado dos beliscões que meu amigo levava quando fazia aquele movimento instintivo ancestral dos homens: olhar para as mulheres que passam. Todas. Pois o relacionamento dura até hoje. E não venham me dizer que é porque ela trepava bem. Eu também não contabilizo reclamações no serviço de atendimento ao cliente em nenhuma modalidade e nem por isso conto com essa devoção canina por parte de qualquer homem.
Pois a barraqueira dá o show e vocês, meninos, suspiram embevecidos: "Ah, ela me quer". Errado. Sabe aqueles documentários sobre vida selvagem do Discovery? Bingo. Ela está dando as mijadinhas de demarcação de território. Não tem nada a ver com você, apesar dos respingos.
Falando em vida selvagem, devoção e taliban, só pra constar: não fui ver "A Paixão de Cristo". Se eu quisesse ver sangue e carnificina, ia logo para os clássicos, como aqueles documentários que os adolescentes adoravam assistir nos jurássicos videocassetes de duas cabeças, comendo pipoca, "Faces da Morte". Já que citei o Discovery, também serve a Semana do Tubarão, com a vantagem de que é repetida ad nauseam (quase tanto quanto a expressão ad nauseam, aliás). Adorei o comentário de um crítico de cinema da Folha, que disse que o ponto alto da carreira do neo-fundamentalista-cristão-de-mercado Mel Gibson ocorreu quando ele emprestou a voz ao galo circense do divertido "A Fuga das Galinhas", e que dificilmente atingirá esse patamar novamente.
Escrito por qualquer uma às 09h07
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Metrossexual é coisa de mulherzinha
Então, o "novo" homem é urbano, sensível e vaidoso. Ah, bom, ainda bem que avisaram, porque nunca existiu isso antes.
Para os novatos, aqui vão umas dicas no quesito "vaidade". Se você é do tipo que usa álcool como loção pós-barba (ou sequer faz a barba), é um caso perdido. Agora, se você pensa que vaidade é usar desodorante rexona antiperspirante-ultra-proteção-24-horas, então talvez ainda tenha salvação. Você escolheu uma marca! Fuleira, mas é uma marca.
Mas aqui vão uns comentários vadios de representante do gênero que gasta 30% do que ganha com cosméticos e afins. Primeiro: passou dos 40, como eu? Então, você precisa de um peeling seqüencial (adoro trema, repararam?). Eu fiz no ano passado. Fui a uma clínica de dermatologia cosmética de onde saí com ares de quem caiu de cara numa poça de lama de estrada vicinal do interior de São Paulo. Uma espécie de máscara de teatro kabuki corada. Se for gordinha, como eu estava na ocasião (não estou mais, eleitorado; a solteirice faz milagres por uma mulher), fica parecendo um vaso bojudo de terracota. Melhorou, viu? A doutora me disse que antigamente o produto era amarelo e a mulherada ficava com a aparência de quem tinha malária ou hepatite. Talvez fosse uma justificativa melhor para andar por aí, já que o mico não se restringe ao consultório, não. Aquilo deve ficar no rosto por seis horas - o que significa que andei pelas ruas mantendo a pose, fazendo cara de "que foi, nunca viu?" (e é claro que nunca ninguém havia visto aquilo em tamanho natural, a não ser nos 7 mil guerreiros de Xi’An, daquele túmulo do imperador chinês).
À noite, feliz da vida por me livrar da comichão e do ardor, gastei chumaços e mais chumaços de algodão retirando a "maquiagem" com produto apropriado. Livre e bela? Não. Vermelha, agora ao natural, de um rubor intenso que durou dois dias e foi substituido por uma descamação digna de leproso do antigo testamento pelo resto da semana. Mas não se preocupe: você pára de descascar um dia antes de fazer a segunda das cinco etapas semanais do peeling, em que a concentração do ácido é paulatinamente elevada.
Cinco semanas depois do ritual pagão anual pela deusa da juventude eterna, ali estava eu, a mesma de sempre, com todas as sardas, que não manifestaram a menor intenção de desbotar. E é claro que depois de ficar tanto tempo com uma aparência deplorável, estava me achando belíssima. Deve ser esse o truque.
Agora, botox, nem pensar. Antigamente, a gente... ops, a gente, não, que eu não era nascida... diziam que, de graça, até injeção na testa. Hoje, paga-se caro por ela. O interessante do botox é que, se mal aplicado, você fica com cara de velha que teve um AVC, com olho caído, boca torta, coisinhas assim. Mas, se der certo, aí, sim: você ganha feições de um velho bonequinho de ventríloquo, espanto congelado do rosto - talvez por causa do preço da intervenção -, olhinhos que se mexem de cá pra lá nas órbitas (e só isso) e boquinha que abre e fecha, mas não muito.
Meninos, não entrem nessa. Metrossexual é só um novo nome para consumidor de esperança em potinhos. Já bastam as mulheres de 40, que ainda acham possível, graças aos milagres da cosmetologia, que algum quarentão ou cinqüentão desista de suas duas de 20 por elas.
Escrito por qualquer uma às 11h11
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Em busca da simplicidade "zen" pênis
Morro de inveja dos homens. Não vou fazer aqui um tratado freudiano tardio sobre a suposta inveja do pênis. Minha inveja é banal e tem a profundidade de um pires. Invejo a simplicidade. Homem quer foder. Com quem, é o de menos; é apenas uma questão escolher dentro de um farto menu: peruas, despojadas, fatais, ingênuas, belas e não tão belas, francamente feias, burras e inteligentes, meigas e bad girls, estas últimas muito em moda, mas que podem intimidar pescadores de vara curta e águas rasas. Em resumo: homem - heterossexual, claro - gosta mesmo é de indivíduos portadores de buceta.
A simplicidade masculina estende-se às conseqüências do relacionamento sexual. Sim, meninos, há o dia seguinte, pelo menos para os IPB, seres que inventam a própria complexidade e nela afogam-se com alguma freqüência (adoro trema!). Pois existe o dia seguinte, graças a uma criação feminina: o subterfúgio. IPB precisam de pretexto para foder. Em geral, lançam mão do clássico "em busca do grande amor" e é aí que começa o fatal dia do telefonema dele que não vem (ou e-mail ou bilhete pelo icq, que somos moças modernas).
Não estou querendo dizer que homem não ama. Bobagem. Ama, sim, afinal de contas amor é endemia em nossa cultura, uma espécie de doença às avessas que confere status de cliente gold plus da felicidade suprema ao portador. Só que homens têm escaninhos separados, com etiquetas bem visíveis, para "amor" e para "sexo". Aliás, concordo tanto com isso que estou praticando. Não estou minimamente interessada em envolvimento afetivo de qualquer espécie. Ando fazendo sexo pelo puro prazer de praticar. E estou me aperfeiçoando rapidamente: não telefono no dia seguinte, não mando e-mail nem bilhete.
No meu árduo empenho pela simplificação, está faltando saber cantar o público-alvo. Sou tímida demais para isso, mas sei que preciso de me convencer que é na quantidade que encontra-se a qualidade, aqui e ali. Ou não, pouco importa.
A época é propícia. Aos 40, nunca pensei tanto em sexo. A ironia disso é que nunca trepei menos. Sou novata no mercado da galinhagem. Este é o meu pretexto. Meninos, me aguardem e, desde já, estejam avisados: não mando nem espero rosas.
Escrito por qualquer um às 17h21
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Casa da luz vermelha
Se há alguma vantagem em se ter mais de 40 é a relativa estabilidade profissional. O que também é uma grande desvantagem, porque tira das coisas a graça de andar na corda bamba, de não saber muito bem como será o dia seguinte.
Há quem diga que sorte é trabalhar naquilo que se gosta. Ô, frase que me deixa louca! Chamar de "sorte" aquilo que me tomou quase vinte anos de empenho é até ofensivo. Além disso, ainda que eu trabalhe escrevendo, o que, no fim das contas, além de foder é a única coisa que sei fazer na vida (mal, podem dizer alguns; outros me remuneram. E estou falando da escrita, engraçadinho!), quem é que disse que posso escrever o que quero e, principalmente, sobre o que eu quiser?
Ser uma cafetina das palavras é viver colocando no papel as pequenas obscenidades de quem paga.
Escrito por qualquer um às 16h58
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E agora?
Aqui estou, aos 40 e tropeçando na vida de solteiro. Uma noite, acordei e sentei na cama com a decisão tomada. "Não quero mais viver aqui". Em quinze dias, aluguei um apartamento bem bacaninha e arrastei malas, gata e poucos móveis para recomeçar, mesmo sabendo que recomeços não existem, que é apenas a vida que vai-se vivendo, escolhendo uma coisa aqui, outra ali. Liberdade aninhada ao colo, do chão do apartamento vazio olho para as paredes brancas e para a falta de objetos que atestem o trânsito dos meus dias. O animal ainda rosna?
Escrito por qualquer um às 15h45
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